Plano de Fiscalização 2025–2026 da Receita Federal: o que muda para as empresas

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O que muda para as empresas e por que 2026 será um ano de alta exposição fiscal:

1) A nova lógica da fiscalização: orientação, dados e coerção inteligente
A Receita Federal deixa claro que sua atuação passa a operar em três camadas simultâneas:
a) Medidas estruturantes

  • Simplificação de obrigações
  • Pré-preenchimento de declarações
  • Redução de assimetrias de informação
  • Integração entre sistemas (SPED, eSocial, NF-e, NFS-e Nacional, PER/DCOMP, DCTFWeb)

b) Medidas de facilitação e assistência

  • Cartas de autorregularização
  • Alertas preventivos
  • Cruzamentos automatizados com oportunidade de correção
  • Comunicação segmentada por risco

c) Medidas coercitivas

  • Auditorias presenciais
  • Autuações direcionadas
  • Ações contra fraudes estruturadas
  • Fiscalização de contribuintes que ignoram alertas

A mensagem é muito clara:

Quem responde aos alertas é tratado como contribuinte cooperativo.
Quem ignora, entra na fila da fiscalização pesada.

2) O retrato de 2025: autuações de R$ 233 bilhões e foco em pessoas jurídicas
O relatório mostra que, em 2025, a Receita lavrou R$ 233 bilhões em autos de infração, sendo:

  • R$ 222 bilhões contra pessoas jurídicas
  • R$ 11 bilhões contra pessoas físicas

Os principais alvos foram:

  • créditos indevidos de PIS/Cofins
  • compensações irregulares
  • omissão de receitas
  • subdeclaração de bases
  • planejamento tributário abusivo
  • divergências entre declarações e escriturações digitais
  • operações internacionais e intragrupo

A Receita está usando intensamente:

  • SPED
  • EFD-Contribuições
  • eSocial
  • DCTFWeb
  • NF-e / NFS-e
  • PER/DCOMP
  • dados financeiros e internacionais

O modelo é claro: a seleção de contribuintes é 100% orientada por dados.

3) Prioridades para 2026: analytics, segmentação e contribuintes em evidência
O Plano de Fiscalização 2026 aprofunda três eixos estratégicos:
1. Uso intensivo de dados e analytics

  • Cruzamentos massivos e automatizados
  • Modelos de risco por setor, porte e comportamento
  • Monitoramento contínuo de inconsistências
  • Integração com dados internacionais (OCDE, FATCA, CRS)

2. Segmentos prioritários
Embora o relatório não liste nominalmente, o padrão histórico e os indícios apontam para:

  • grandes contribuintes e grupos econômicos
  • setores com alto volume de créditos (indústria, varejo, combustíveis, agro)
  • operações internacionais (royalties, serviços intragrupo, preços de transferência)
  • contribuintes de alta renda
  • offshores, trusts, criptoativos e ativos no exterior
  • empresas com histórico de compensações volumosas

3. Autorregularização como porta de entrada
A Receita reforça que:

  • alertas serão enviados antes da autuação
  • haverá prazo para correção espontânea
  • quem não corrigir será fiscalizado com prioridade

A lógica é simples: a Receita está substituindo a “fiscalização surpresa” pela “fiscalização anunciada” — e monitorada por dados.

4) Conexão com o Código de Defesa do Contribuinte e programas de conformidade
A promulgação da LC 225/2026 – Código de Defesa do Contribuinte reforça a estratégia da Receita:

  • mais transparência
  • mais previsibilidade
  • estímulo à conformidade cooperativa
  • valorização de programas internos de compliance tributário

Mas também:

  • menos tolerância para contribuintes que, mesmo com acesso à informação, mantêm condutas de alto risco.

O recado é claro: compliance tributário deixa de ser diferencial e passa a ser requisito mínimo de sobrevivência fiscal. Vale também, destacar que apesar de ter sido instituído pela LC 225/26, o modelo carece da adesão dos Estado, que em alguns casos possuem o próprio modelo de conformidade( Nos Conformes, Contribuinte Legal, Arretado, Pai d’égua, Copera, Fisconformes).

5) O que muda para as empresas em 2026
1. A fiscalização deixa de ser eventual e passa a ser permanente
O contribuinte está sendo monitorado em tempo real.
2. A defesa não é mais apenas jurídica — é de dados
A consistência entre:

  • SPED
  • EFD-Contribuições
  • eSocial
  • DCTFWeb
  • NF-e / NFS-e
  • PER/DCOMP
  • contabilidade

é o novo “escudo fiscal”.
3. Ambientes nacionais (NFS-e, MAN, IBS/CBS) entram no radar
A Receita está integrando dados municipais, estaduais e federais.
4. Empresas com governança fiscal madura terão menos exposição
Processos, trilhas de auditoria e resposta rápida a alertas serão diferenciais.
5. Quem ainda opera com controles manuais ou fragmentados ficará vulnerável
A Receita está mirando inconsistências que só aparecem quando:

  • sistemas não conversam
  • bases não batem
  • processos não são integrados

Conclusão: 2026 será o ano da consistência — ou da exposição
O Plano de Fiscalização 2025–2026 deixa claro que:

  • a Receita está mais tecnológica,
  • mais orientada por dados,
  • mais segmentada,
  • e mais previsível — porém mais rigorosa.

A transição tributária (IBS/CBS), os ambientes nacionais e a digitalização das obrigações criam um cenário em que a empresa que não investir em governança fiscal estará permanentemente exposta.
O jogo mudou. E, em 2026, a coerência entre dados, processos e sistemas será o principal indicador de conformidade

Fonte:link do PLANO DE FISCALIZAÇÃO DA RFB – 2025/2026

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